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Exposição

Explorar

Autores: Debora Koury , Gabriel Alonso , Julia Mayer, Livia Daniele Souza e Railani dal Col Nascimento.

 

Ações exploratórias no Brasil

Mineração e agropecuária são alguns exemplos de atividades exploratórias que ocorrem no país — famoso pela grande variedade de elementos naturais. Essas atividades, apesar de valiosas economicamente, apresentam sérios efeitos colaterais na medida em que interferem diretamente no equilíbrio do meio ambiente, que, em muitos casos, não consegue retomar esse equilíbrio em um curto período de tempo.

Com isso, a exploração massiva da natureza ligada ao acúmulo de capital, seja dentro ou fora das normas, podem gerar uma série de eventos como: queimadas em florestas para a criação de pastos para gados, minerações ilegais que ameaçam a vida de comunidades inteiras, extrações de petróleo causadoras de vazamentos, e desmatamentos desenfreados para a obtenção de madeira.

A gente destacou alguns desses eventos para conversar um pouco mais sobre, dá uma olhada no que encontramos!

 

 

Mineração

Segundo a classificação adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a mineração pode ser definida como: “[…] a extração, elaboração e beneficiamento de minerais que se encontram em estado natural: sólido, como o carvão e outros; líquido, como o petróleo bruto; e gasoso, como o gás natural.”

No Brasil os principais minerais explorados são: ferro, especialmente em Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul; manganês, em especial na parte norte do país; e a bauxita, especialmente em Minas e no Pará.

Entretanto, todo o processo que envolve a mineração pode ocasionar grandes problemas — principalmente se houver negligências e irregularidades — ao meio ambiente.

Rompimento da barragem do Fundão
Autoria da obra: Jé Hãmãgãy (@pedejatoba)

Novembro de 2015

Município de Mariana, Minas Gerais

Empresa Samarco, mineradora controlada pela Vale, décima maior exportadora do país e construtora da Barragem do Fundão para conter os rejeitos gerados pela extração de minério de ferro (seu maior produto comercial).

A extração de minério de ferro consiste na separação do material de valor comercial dos rejeitos, material não utilizado. Após a separação, esses rejeitos devem ser armazenados em um reservatório (uma barragem) para evitar danos ambientais. Essa barragem sofreu uma série de modificações estruturais que ocasionaram, segundo o arquiteto responsável, uma ruptura na estrutura. Em novembro de 2015, a barragem se rompeu liberando 34 milhões de metros cúbicos (m 3) de lama, contendo rejeitos de mineração.

Várias investigações e inquéritos apontaram que a barragem não possuía sistemas e ferramentas necessárias para evitar o ocorrido (que já havia sido alertado antes do desastre), tais como: técnicas mais modernas de filtragem dos resíduos, manutenção correta das barragens, instrumentos de monitoramento eletrônico, sistemas de alerta, a adoção de planos emergenciais e um protocolo de fiscalização sério. Outras hipóteses apontam para a quantidade excessiva de rejeitos presentes na barragem que iriam além do que a estrutura poderia suportar. Existem ainda, apontamentos sobre a negligência da Samarco e a falta de fiscalização eficiente quanto à barragem.

O desastre deixou 19 mortos, milhares de casas destruídas, impactos ambientais como a poluição de rios e outros corpos hídricos e impactos sociais que, até este ano (2020) não foram resolvidos.

Rompimento da barragem do Córrego do Feijão
Autoria da obra: Bennê Oliveira (@leve.mente.insana)

25 de Janeiro de 2019

Barragem do Córrego do Feijão da Vale, Município de Brumadinho, MG

Companhia Vale S.A., mineradora multinacional e uma das maiores operadoras de logística do país. Conhecida como uma das maiores empresas de mineração do mundo, responsável por produzir minério de ferro, níquel, manganês, cobre, etc. Também atua no setor de produção de energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas.

A barragem em questão foi construída em 1976 pela empresa alemã Ferteco, sendo posteriormente comprada pela Vale em 2001.  Investigações apontaram que quase não existiam documentos a respeito da barragem. Com o rompimento (que começou e terminou em apenas 6 segundos), foram liberadas ondas de rejeitos que se alastraram pela região e causaram imensa destruição.

A principal causa apontada para o ocorrido foi a falta de modificação na estrutura da barragem. Foi apontado que a construção não sofreu praticamente nenhuma alteração desde que fora comprada pela Vale, e muitas estruturas adjacentes, como o refeitório e a área administrativa, estavam localizadas a pouco mais de 1 km dela. Essa marcante falta de manutenção e reestruturação da barragem a deixaram em um baixíssimo nível de segurança, apesar da empresa insistir que não havia perigos ou riscos.

Como consequência do ocorrido, 13 milhões de m3 de rejeitos de minério de ferro em afluentes do rio Paraopeba (a partir de Brumadinho), 225 pessoas foram encontradas mortas e 18 foram classificadas como desaparecidas.

Garimpo ilegal
Autoria da obra: Bennê Oliveira (@leve.mente.insana)

Final da década de 1980 e início de 1990 – Atualmente (2021)

Entre os estados do Amazonas e Roraima, uma área de aproximadamente 9.664.975 hectares (96.650 km²)

Grupos de garimpeiros ilegais situados nas regiões de Roraima e da Amazônia, em terras do povo Yanomami.

Com o intuito de explorar as terras indígenas, devido a presença de minérios valiosos (ouro), os grupos de garimpeiros invadem esses territórios com armas de fogo e máquinas para devastar a área de floresta. É realizada de forma clandestina, utilizando equipamentos que fazem a sucção de material do leito de rios ou através do jateamento de barrancos. Também faz parte desse processo a utilização de mercúrio (material extremamente tóxico) para a separação do ouro.

As terras em questão apresentam quantidades consideráveis de ouro, o que imediatamente atrai a atenção desses grupos criminosos. Isso, combinado com a legislação pouco eficiente contra o garimpo ilegal e com as dificuldades em protejer os povos indígenas e suas terras, abre um vasto caminho para esse esquema ilegal e desrespeitoso.

Além de causar uma grande derrubada da área verde e grande quantidade de poluição, esta atividade é desrespeitosa para com o povo Yanomami ao retirá-los de seu próprio território e deixá-los desabrigados. Além disso, em vista da pandemia da COVID-19, médicos e outros especialistas têm se mostrado preocupados com o avanço da doença na região (principalmente para os povos indígenas) devido a presença dos garimpeiros e a completa falta de preocupação que estes apresentam em relação à pandemia.

Agropecuária

A agropecuária é a atividade industrial que consiste no cultivo de plantas (agricultura) e na criação de animais (pecuária) para o consumo humano e/ou para o fornecimento de matéria prima para roupas, medicamentos, produtos de beleza, etc. Apesar de ser uma atividade bem conhecida, muitos se utilizam de práticas danosas ou ilegais contra o meio ambiente para garantirem terras e reforçarem sua produção; como o desmatamento e queimada de terras para abrir espaço para pastos ou a utilização de agrotóxicos para acelerar o crescimento das plantas.

Grilagem de terras na Amazônia
Autoria da obra: Bennê Oliveira (@leve.mente.insana)

Pelo menos há vinte anos – Atualmente (2020)

Floresta Amazônica – Amazônia (AM)

Grileiros em posse de terras na Amazônia. Estes geralmente desmatam terras de florestas

Apesar da existência de uma legislação específica para proteger as terras ameaçadas, as leis estabelecidas não são suficientes por si só para impedir a prática da grilagem, apresentando brechas para que essa ação criminosa continue.

A prática da grilagem consiste no ato de forjar documentos para a apropriação de terras públicas como se fossem propriedades privadas. O objetivo dos grileiros com isso é conseguir território suficiente para a criação de pastos para gado, ligando a prática diretamente com a agropecuária/agronegócio.

Além de causar o desmatamento de milhares de hectares de área verde, a prática permite aos “proprietários” das terras devastar a moradia de diversos grupos sociais, tais como: a população do campo, quilombolas, indígenas, pequenos agricultores, ribeirinhos, etc. Ao analisar a atividade em um sentido mais amplo (visto que não se restringe, necessariamente, as terras da Amazônia, mas ao país todo), todos os territórios estão sujeitos a serem ameaçados pelos grileiros, o que significa que todos que tem posse de terras e se interessam em disputa estão ameaçados, “incluindo órgãos federais, como INCRA, IBAMA, Marinha, etc., todos que têm terras públicas entram no processo” (MST, 2020).

Gostaríamos muito de agradecer a Bennê Oliveira (@leve.mente.insana) e Jé Hãmãgãy (@pedejatoba), artistas incríveis que autorizam o uso de suas obras como parte do nosso acervo!