Exposição

EIXO 1 – REFLETIR

Ao longo do dia, enquanto estamos focados na rotina, nas tensões do ensino remoto ou do famoso home office, fazemos quase tudo “no automático”. Quando foi a última vez que você teve um tempo para pensar sobre você e o que está a sua volta? Mesmo o que está sendo
feito longe dos nossos olhares gera impactos no nosso dia-a-dia. Tudo o que usamos, desde nossas roupas ao smartphone, são produzidos com matérias-primas vindas da Natureza, já pensou nisso? É preciso refletir…

VAMOS PENSAR JUNTOS!

Será que a exploração ambiental só acontece em florestas e que a Natureza só está presente em áreas de preservação? A Natureza é uma fonte de “recursos” infinita

Recifes de corais podem desaparecer nos próximos 20 anos, segundo cientistas “O aquecimento dos mares, a acidez e a poluição nos oceanos deve levar essa forma de vida à extinção.”

GOVERNO CONTRA O MEIO AMBIENTE

As medidas de proteção ambiental do Brasil estão sendo cada vez mais deixadas de lado por nossos líderes de Estado. A demora para tomar medidas que combatam os incêndios na Amazônia e no Pantanal e a falta de mobilização para resolver o incidente das manchas de petróleo nas praias nordestinas só demonstram a falta de importância que a questão ambiental tem para o atual Governo.

Focos de calor em área com desmatamento identificado pelo Prodes de 2017 a 2019 e Deter 2020, próxima à Floresta Nacional de Jacundá, em Porto Velho (RO). (© Christian Braga / Greenpeace)

 

A NATUREZA ARDE EM CHAMAS!

No Brasil, o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia estão sendo consumidos por queimadas e incêndios generalizados, por conta de secas severas e a negligência do poder público em relação à exploração da Natureza.
No território da Argentina, são zonas úmidas e florestas nativas que estão pegando fogo. Os incêndios são resultado de uma baixa histórica de nível de água do rio Paraná, consequência da crise hídrica argentina, que soma a escassez de chuvas e a diminuição do fluxo dos rios causado pelas represas hidrelétricas no Brasil.

O Pantanal é um hotspot de biodiversidade, mas sua fauna e flora tem sido brutalmente impactada pelas queimadas deste ano. (Foto: Iberê Périssé / Projeto Solos)

 

PANDEMIA: PROTEGER A NATUREZA É ESSENCIAL!

Com a continuidade de ações que estão causando extinção, perda de habitat e mudanças climáticas, o mundo pode presenciar outra grande pandemia como a da covid-19.

Fumaça de incêndio florestal sobre uma fazenda de gado no estado de Mato Grosso em 2019. A perda de florestas como as da Amazônia provocará novos surtos virais como o da covid-19, segundo projeções de um grupo internacional de cientistas. Foto: Victor Moriyama, The New York Times/ REDUX.

 

Que tal continuarmos nossas reflexões vendo um filme?
Veja se acha interessante…

 

Imagem de divulgação do filme Narradores de Javé
Fonte: Wikipedia

 

No filme Narradores de Javé, de 2003, dirigido por Eliane Caffé, o povo do pequeno vilarejo de Javé se vê aflito após saber que o lugar onde vive será inundado por conta da construção de uma represa, para o funcionamento de uma hidrelétrica.
Na tentativa de se manterem no território, os cidadãos decidem registrar suas histórias e tombar Javé como um patrimônio, assim, a cidade preservada impediria a construção da represa.
Enquanto os moradores de Javé possuíam uma relação de afeto com o território, a empresa que iria construir a represa só estava pensando em lucros.

Você acha que o modo como as grandes empresas exploram a natureza permite que ela se renove?

Em entrevista dada ao programa Sempre um Papo, em 2015, Ailton Krenak, fala sobre o meio ambiente através do olhar do indígena, em oposição aqueles que destroem em nome do que chamam de progresso.
Krenak diz que, para os povos indígenas, o meio ambiente é integrado a todo ciclo da vida e não à uma ideia de “recurso natural”. O filósofo diz que olhar para o meio ambiente como um lugar de “recursos naturais”, significa tratar a Natureza como um almoxarifado de onde se pode tirar tudo – minério, floresta, água…

Ailton Krenak é líder indígena, ambientalista, filósofo e escritor brasileiro. Nasceu em 1953, na região do vale do rio Doce, território do povo Krenak, lugar cuja ecologia se encontra profundamente afetada pela atividade de extração de minérios.

 

Trecho da entrevista de Ailton Krenak ao Programa Sempre um Papo (2015)

 

“QUEM ROUBOU A NOSSA PAISAGEM?”

Vamos explorar um pouco mais esse assunto?

EIXO 2 – EXPLORAR

AÇÕES EXPLORATÓRIAS NO BRASIL

Mineração e agropecuária são alguns exemplos de atividades exploratórias que ocorrem no país — famoso pela grande variedade de elementos naturais. Essas atividades, apesar de valiosas economicamente, apresentam sérios efeitos colaterais na medida em que interferem diretamente no equilíbrio do meio ambiente, que, em muitos casos, não consegue retomar esse equilíbrio em um curto período de tempo. (Leia mais)

Com isso, a exploração massiva da natureza ligada ao acúmulo de capital, seja dentro ou fora das normas, podem gerar uma série de eventos como: queimadas em florestas para a criação de pastos para gados, minerações ilegais que ameaçam a vida de comunidades inteiras, extrações de petróleo causadoras de vazamentos, e desmatamentos desenfreados para a obtenção de madeira.

A gente destacou alguns desses eventos para conversar um pouco mais sobre, dá uma olhada no que encontramos!

 

MINERAÇÃO

Segundo a classificação adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a mineração pode ser definida como: “[…] a extração, elaboração e beneficiamento de minerais que se encontram em estado natural: sólido, como o carvão e outros; líquido, como o petróleo bruto; e gasoso, como o gás natural.”.
No Brasil os principais minerais explorados são: ferro, especialmente em Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul; manganês, em especial na parte norte do país; e a bauxita, especialmente em Minas e no Pará.
Entretanto, todo o processo que envolve a mineração pode ocasionar grandes problemas — principalmente se houver negligências e irregularidades — ao meio ambiente, como veremos a seguir.

Rompimento da barragem do Fundão

Quando?
Novembro de 2015

Onde?
Município de Mariana, Minas Gerais

Quem?
Empresa Samarco, mineradora controlada pela Vale, décima maior exportadora do país e construtora da Barragem do Fundão para conter os rejeitos gerados pela extração de minério de ferro (seu maior produto comercial).

Como?
A extração de minério de ferro consiste na separação do material de valor comercial dos rejeitos, material não utilizado. Após a separação, esses rejeitos devem ser armazenados em um reservatório (uma barragem) para evitar danos ambientais. Essa barragem sofreu uma série de modificações estruturais que ocasionaram, segundo o arquiteto responsável, uma ruptura na estrutura. Em novembro de 2015, a barragem se rompeu liberando 34 milhões de metros cúbicos (m 3) de lama, contendo rejeitos de mineração.

Por quê?
Várias investigações e inquéritos apontaram que a barragem não possuía sistemas e ferramentas necessárias para evitar o ocorrido (que já havia sido alertado antes do desastre), tais como: técnicas mais modernas de filtragem dos resíduos, manutenção correta das barragens, instrumentos de monitoramento eletrônico, sistemas de alerta, a adoção de planos emergenciais e um protocolo de fiscalização sério. Outras hipóteses apontam para a quantidade excessiva de rejeitos presentes na barragem que iriam além do que a estrutura poderia suportar. Existem ainda, apontamentos sobre a negligência da Samarco e a falta de fiscalização eficiente quanto à barragem.

E depois?
O desastre deixou 19 mortos, milhares de casas destruídas, impactos ambientais como a poluição de rios e outros corpos hídricos e impactos sociais que, até este ano (2020) não foram resolvidos.

 

Rompimento da barragem do Córrego do Feijão

Quando?
25 de Janeiro de 2019

Onde?
Barragem do Córrego do Feijão da Vale, Município de Brumadinho, MG

Quem?
Companhia Vale S.A., mineradora multinacional e uma das maiores operadoras de logística do país. Conhecida como uma das maiores empresas de mineração do mundo, responsável por produzir minério de ferro, níquel, manganês, cobre, etc. Também atua no setor de produção de energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas.

Como?
A barragem em questão foi construída em 1976 pela empresa alemã Ferteco, sendo posteriormente comprada pela Vale em 2001.  Investigações apontaram que quase não existiam documentos a respeito da barragem. Com o rompimento (que começou e terminou em apenas 6 segundos), foram liberadas ondas de rejeitos que se alastraram pela região e causaram imensa destruição.

Porque?
A principal causa apontada para o ocorrido foi a falta de modificação na estrutura da barragem. Foi apontado que a construção não sofreu praticamente nenhuma alteração desde que fora comprada pela Vale, e muitas estruturas adjacentes, como o refeitório e a área administrativa, estavam localizadas a pouco mais de 1 km dela. Essa marcante falta de manutenção e reestruturação da barragem a deixaram em um baixíssimo nível de segurança, apesar da empresa insistir que não havia perigos ou riscos.

E depois?
Como consequência do ocorrido, 13 milhões de m 3 de rejeitos de minério de ferro em afluentes do rio Paraopeba (a partir de Brumadinho), 225 pessoas foram encontradas mortas e 18 foram classificadas como desaparecidas.

 

Garimpo ilegal

Quando?
Final da década de 1980 e início de 1990 – Atualmente (2020)

Onde?
Entre os estados do Amazonas e Roraima, uma área de aproximadamente 9.664.975 hectares (96.650 km²)

Quem?
Grupos de garimpeiros ilegais situados nas regiões de Roraima e da Amazônia, em terras do povo Yanomami.

Como?
Com o intuito de explorar as terras indígenas, devido a presença de minérios valiosos (ouro), os grupos de garimpeiros invadem esses territórios com armas de fogo e máquinas para devastar a área de floresta. É realizada de forma clandestina, utilizando equipamentos que fazem a sucção de material do leito de rios ou através do jateamento de barrancos. Também faz parte desse processo a utilização de mercúrio (material extremamente tóxico) para a separação do ouro.

Por quê?
As terras em questão apresentam quantidades consideráveis de ouro, o que imediatamente atrai a atenção desses grupos criminosos. Isso, combinado com a legislação pouco eficiente contra o garimpo ilegal e com as dificuldades em protejer os povos indígenas e suas terras, abre um vasto caminho para esse esquema ilegal e desrespeitoso.

E depois?
Além de causar uma grande derrubada da área verde e grande quantidade de poluição, esta atividade é desrespeitosa para com o povo Yanomami ao retirá-los de seu próprio território e deixá-los desabrigados. Além disso, em vista da pandemia da COVID-19, médicos e outros especialistas têm se mostrado preocupados com o avanço da doença na região (principalmente para os povos indígenas) devido a presença dos garimpeiros e a completa falta de preocupação que estes apresentam em relação à pandemia.

 

AGROPECUÁRIA

A agropecuária é a atividade industrial que consiste no cultivo de plantas (agricultura) e na criação de animais (pecuária) para o consumo humano e/ou para o fornecimento de matéria prima para roupas, medicamentos, produtos de beleza, etc. Apesar de ser uma atividade bem conhecida, muitos se utilizam de práticas danosas ou ilegais contra o meio ambiente para garantirem terras e reforçarem sua produção; como o desmatamento e queimada de terras para abrir espaço para pastos ou a utilização de agrotóxicos para acelerar o crescimento das plantas.

Grilagem de terras na Amazônia

Autoria da obra: Bennê Oliveira (@leve.mente.insana)

Quando?
Pelo menos há vinte anos – Atualmente (2020)

Onde?
Floresta Amazônica – Amazônia (AM)

Quem?
Grileiros em posse de terras na Amazônia. Estes geralmente desmatam terras de florestas para criação de pastos e forjam documentos de propriedade privadas para a futura venda de territórios públicos.

Como?
Apesar da existência de uma legislação específica para proteger as terras ameaçadas, as leis estabelecidas não são suficientes por si só para impedir a prática da grilagem, apresentando brechas para que essa ação criminosa continue.

Por quê?
A prática da grilagem consiste no ato de forjar documentos para a apropriação de terras públicas como se fossem propriedades privadas. O objetivo dos grileiros com isso é conseguir território suficiente para a criação de pastos para gado, ligando a prática diretamente com a agropecuária/agronegócio.

E depois?
Além de causar o desmatamento de milhares de hectares de área verde, a prática permite aos “proprietários” das terras devastar a moradia de diversos grupos sociais, tais como: a população do campo, quilombolas, indígenas, pequenos agricultores, ribeirinhos, etc. Ao analisar a atividade em um sentido mais amplo (visto que não se restringe, necessariamente, as terras da Amazônia, mas ao país todo), todos os territórios estão sujeitos a serem ameaçados pelos grileiros, o que significa que todos que tem posse de terras e se interessam em disputa estão ameaçados, “incluindo órgãos federais, como INCRA, IBAMA, Marinha, etc., todos que têm terras públicas entram no processo” (MST, 2020).

 

Gostaríamos muito de agradecer a Bennê Oliveira (@leve.mente.insana) e Jé Hãmãgãy (@pedejatoba), artistas incríveis que autorizam o uso de suas obras como parte do nosso acervo!

EIXO 3 – LUTAR

INTRODUÇÃO

No fronte contra grandes empreendimentos que desconsideram diferentes condições humanas e ambientais, existem grupos de resistência que lutam por direito à terra, por direitos fundamentais e por ecossistemas ecologicamente equilibrados.
No Brasil, fortalece-se a cada ano um projeto econômico pautado no agronegócio, aliado ao Estado e grandes corporações que compõem os conglomerados da agro-indústria. Consequentemente, a manutenção do status quo nas estruturas sociais de classe e raça e o enfraquecimento das instituições de fiscalização permitem diferentes agentes, do latifúndio (fazendeiros, mineradores, empresários) e acionistas destes setores de bases burguesas praticarem atos diretos e indiretos de violência contra comunidades contrárias às ações de exploração.

 

MOVIMENTOS SOCIAIS

Em meio aos conflitos políticos-sociais ao derredor das lutas contra barragens, mineradoras e organizações latifundiárias que antagonizam a luta pelo meio ambiente e direitos humanos, muitos dos que integram estes grupos de resistência têm suas vidas descaracterizadas e até retiradas por buscarem uma melhor qualidade de vida integrada à utilização da terra de forma consciente .

 

 

 

MOVIMENTOS INDÍGENAS

Ao se falar de movimento indígena não se pode distanciá-lo de sua complexidade. Os Povos Originários do Brasil sofrem com o descaso proposital do poder público.

Saiba mais

 

 

Vídeo do Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana que aconteceu entre os dias 21 e 23 de novembro de 2019

 

 

 

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA

FOTO: Cristiano Mariz (2020)

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) foi fundado em 1984, dentro do Encontro Nacional de Trabalhadores Sem Terra e durante a Ditadura Militar, contra a expansão da fronteira agrícola, os megaprojetos e a mecanização da agricultura. Atualmente, o seu foco de atuação é pela Reforma Agrária, democratização do acesso à terra e produção de alimentos.
O movimento defende a criação de um Projeto Popular para o Brasil, por meio de uma organização dos trabalhadores e trabalhadoras, que visa trabalhar em todas as instâncias para solucionar os problemas estruturais do nosso país, como a fome, a falta de moradia e direito a terra, diminuir a desigualdade social e de renda, entre outros.  O MST também está presente em articulações e organizações que buscam transformar a realidade e os direitos fundamentais.

Militantes do MST foram presos sob acusação de organização criminosa.  Para Luiz Zarref “A questão da terra não pode ser colocada como algo criminoso, especialmente quando se está diante de um dos grandes devedores da União”

FONTE E FOTO: VEJA (2016)

PARA VOCÊ SABER MAIS” – Vídeo: ocupar, Resistir e Produzir! – As feiras do MST

 

 

MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS

Originado em 1970 durante a ditadura militar, lutam por questões relacionadas aos direitos humanos, água, energia, impactos de barragens e a Floresta Amazônica.

Saiba mais

 

 

 

RIBEIRINHOS

FOTO: Antonio Scorza (2016) FONTE: O Globo

As comunidades Ribeirinhas podem ser entendidas como pessoas instaladas às margens dos rios que desenvolvem permanentemente uma estreita relação com o ambiente, a qual se manifesta numa intensa interação. Trabalho na heterogeneidade das diversas formas de utilização de matérias como: agricultura, criação de pequenos animais, extrativismo animal (pesca e caça) e extrativismo vegetal (madeireiro e não-madeireiro).
Essa comunidade tradicional é ameaçada e ignorada pelo Estado. Como o exemplo da comunidade ribeirinha de Montanha e Mangabal (Pará), que se uniram com uma comunidade indígena para
promovem a autodemarcação do seu território que precisam enfrentar grileiros, pecuaristas, garimpeiros e foram abandonados pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a comunidade ribeirinha do Rio Iriri do Pará, que sofrerem pressão de órgãos do Estado para sair de seu território, esta é uma das comunidades que mais ajudam a preservar a floresta, além de outras violências contra essas comunidades tradicionais.

FOTO: Dirce Quintino

PARA VOCÊ SABER MAIS” – Livro: Fala Beiradão!

 

 

 

QUILOMBOLAS

Os Quilombos são marcos de resistência contra a colonização, entendendo que o Brasil traz em sua história as marcas do sequestro de pessoas do continente africano. Estes territórios devem ser entendidos como centros paralelos de poder, organização social e a expressão radical de uma ruptura com o sistema latifundiário.

Esses quilombos atualmente são ameaçados de expropriação, movidos por fazendeiros e grileiros  em consequência da especulação do valor daquela terra mexe com uma memória da violência, experienciada pelos ancestrais dos atuais ocupantes desse território.

 

 

 

 

ASSASSINATOS/ O LUTO DA LUTA

Brasil ocupa 4º lugar no ranking de assassinatos de lideranças ambientais em 2018

Um estudo de uma ONG internacional de 2018 aponta que o Brasil é o quarto  país mais letal para ativistas ambientais. Embora nesse ano o número de assassinatos tenha caído – a CPT, Comissão Pastoral da Terra, argumenta que em anos eleitorais o número de mortes tende a diminuir -, “2019 começou com o retorno do aumento dos assassinatos”, informou a entidade. Somente nos quatro primeiros meses do ano foram registradas 10 mortes violentas. O mesmo estudo em 2019 aponta números recordes deste tipo de ação no mundo, e o Brasil sobe uma posição na lista. Dentre as ações de exploração mais letais, a mineração é o setor que mais mata ativistas no mundo.

 

 

CONCLUSÃO

Nossa relação com o meio ambiente está intrinsecamente ligada ao nosso futuro. As mudanças que causamos em nossos ecossistemas desencadeiam reações na própria natureza que muitas vezes são diretamente nocivas para o ser humano. Nossas desigualdades socioeconômicas também limitam não somente as ações contrárias ao mercantilismo ambiental como o entendimento entre as diferentes parcelas da população geral. A luta por resistência, pela defesa do meio ambiente e pelo nosso futuro é um dever nosso, como sociedade.

EIXO 4 – PLANEJAR

VAMOS PLANEJAR JUNTOS?

Como você imagina que estará o meio ambiente daqui a um ano? E daqui a 10 anos?

As empresas não podem continuar explorando o meio ambiente, consumindo toda a vida que está nele. A natureza está sendo destruída e, consequentemente, o nosso futuro com ela. É fundamental que exista uma legislação que proteja o nosso patrimônio ambiental e é nosso dever lutar e cobrar das autoridades para que isso se realize.

O líder indígena ambientalista Ailton Krenak nos diz que temos que parar de vender o amanhã. Você já pensou no mundo que quer deixar para seus filhos e netos?

 

 

“Não podemos abusar dessa ideia do amanhã como viemos fazendo nos últimos 200 anos.”

 

 

Neste trecho da palestra TEDxUnisinos de 2020, Ailton Krenak nos alerta para o equívoco que é usar o pensamento de que “o tempo é dinheiro” como um mantra.

 

Que tempo é esse que estamos falando?

Para completar a ideia do Ailton Krenak, trazemos também um recorte de entrevista com o político uruguaio José Mujica, onde ele nos mostra que o tempo da nossa vida é precioso e que não devemos trocá-la por qualquer mercadoria.

 

 

“Quando compro algo ou você compra, não pagamos com dinheiro, pagamos com o tempo de vida que tivemos que gastar para ter aquele dinheiro.”

 

 

As fábricas estão prontas para nos empurrar milhares de produtos que não precisamos, mas que somos levados a consumir por estímulos que o marketing cria para nos envolver em uma trama nociva de um falso bem estar. Será que precisamos mesmo consumir novos produtos? Quem ganha com isso?

As empresas geram lucro através da produção desenfreada que acontece em detrimento da extração de bens da natureza e, completando esse quadro crítico, acaba gerando muito lixo poluente. Estamos falando não apenas empresas geradoras de bens materiais, mas também as indústrias alimentícias. Com sua ganância por dinheiro, exploram o solo de maneira predatória produzindo alimentos transgênicos e tratados com pesticidas. Além disso, provocam queimadas, desmatando florestas, tanto para criação de gado quanto para grandes plantações de monocultura.

Recomendamos o curta-metragem “Ilhas das Flores” que mostra o consumo baseado no sistema de produção capitalista. Lançado no ano de 1989, é um curta-metragem com duração de 13 minutos que leva o mesmo nome de um local de Porto Alegre destinado ao depósito de lixo. O curta apresenta a trajetória de um tomate, desde a colheita ao descarte até a chegada ao lixão da ilha, onde crianças disputam alimentos que não serviriam mais nem para os porcos. O filme faz uma crítica às desigualdades sociais geradas pelo sistema capitalista e a ausência de políticas públicas para solucionar a miséria de parte da população brasileira.

Para terminar, gostaríamos de enfatizar a importância do trabalho coletivo para conquista de políticas públicas que contornam a relação predatória de degradação ambiental. Por isso, recortamos do artigo 255 da Constituição Federal o trecho que aponta a importância da coletividade para com o meio ambiente “para defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”:

 

“Artigo 255. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

 

Vamos planejar juntos os nossos próximos passos?